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Formadora / Artes Plásticas in Guimarães
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TÓNIO _ OSIMPLESwrote:
AS MUSAS CEGAS
Esta linguagem é pura. No meio está uma fogueira E a eternidade das mãos. Esta linguagem é colocada e extrema e cobre, Com suas lâmpadas, todas as coisas. As coisas que são uma só no plural dos nomes. - E nós estamos dentro, subtis, e tensos Na música. Esta linguagem era o disposto verão das musas, O meu único verão. A profundidade das águas onde uma mulher Mergulha os dedos, e morre. Onde ela ressuscita indefinidamente. - Porque uma mulher toma-me Em suas mãos livres e faz de mim Um dardo que atira. - Sou amado, Multiplicado, difundido. Estou secreto, Secreto doado às coisas mínimas. Na treva de uma carne batida como um búzio Pelas cítaras, sou uma onda. Escorre minha vida imemorial pelos meandros cegos. Sou esperado contra essas veias soturnas, no meio Dos ossos quentes. Dizem o meu nome: Torre. E de repente eu sou uma torre queimada Pelos relâmpagos. Dizem: ele é uma palavra. E chega o verão, e eu sou exactamente uma Palavra. - Porque me amam até se despedaçarem todas as portas, E por detrás de tudo, num lugar muito puro, Todas as coisas se unirem numa espécie de forte silêncio. Essa mulher cercou-me com as duas mãos. Vou entrando no seu tempo com essa cor de sangue, Acendo-lhe as falangetas, Faço um ruído tombado na harmonia das vísceras. Seu rosto indica que vou brilhar perpetuamente. Sou eterno, amado, análogo. Destruo as coisas. Toda a água descendo é fria, fria. Os veios que escorrem são a imensa lembrança. Os velozes sóis que se quebram entre os dedos, As pedras caídas sobre as partes Mais trémulas da carne, Tudo o que é húmido, e quente, e fecundo, E terrivelmente belo - Não é nada que se diga com um nome. Sou eu, uma ardente confusão de estrela e musgo. E eu, que levo uma cegueira completa e perfeita, Acendo lírio a lírio todo o sangue interior, E a vida que se toca de uma Escoada recordação. Toda a juventude é vingativa. Deita-se, adormece, sonha alto as coisas da loucura. Um dia acorda com toda a ciência, e canta Ou o mês antigo dos mitos, Ou a cor que sobe pelos frutos, Ou a lenta iluminação da morte como espírito Nas paisagens de uma inspiração. A mulher pega nessa pedra tão jovem, E atira-a para o espaço. Sou amado. - E é uma pedra celeste. Há gente assim, tão pura. Recolhe-se com a candeia De uma pessoa. Pensa, esgota-se, Nutre-se desse quente silêncio. Há gente que se apossa da loucura, e morre, e vive. Depois levanta-se com os olhos imensos E incendeia as casas, grita abertamente as giestas, Aniquila o mundo com o seu silêncio apaixonado. Amam-me; multiplicam-me. Só assim eu sou eterno. Sobre os cotovelos a água olha o dia sobre Os cotovelos. Batem folhas da luz Um pouco abaixo do silêncio. Quero saber O nome de quem morre: o vestido de ar Ardendo, os pés e movimento no meio Do meu coração. O nome: madeira que arqueja, A seca desde fundo Do seu tempo vegetal coarctado. E, ao abrir-se a toalha viva, o nome: A beleza a voltar-se para trás, Com seus pulmões de algodão queimando. Uma serpente de ouro abraça os quadris Negros e molhados. E a água que se debruça Olha a loucura com seu nome: Indecifrável cego. (herberto helder)
June 3
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TÓNIO _ OSIMPLESwrote:
MEU JARDIM... TEU AMOR OS pássaros que se ouvem no jardim parecem Compor uma sinfonia, a tua melhor canção é trinada, cantada e encantada, É o teu melhor, na bicharada! Da janela, no jardim Posso ver o sol beijando as flores... O passado é distante, o presente é incerto, O futuro terá AMORES? Observo em minha volta, lentamente, Vejo por todos os lugares, Todas as árvores em flor Como um ÉDEN no amor, certamente! Olho o céu em todo o seu esplendor, Vejo a Lua que quer nascer Sinto o teu coração bater No viver e no entardecer. Dos finais dos dias... em Que era costume, nos abraçar, nos beijar, Minha querida amada, Meu tesouro, que saudade! Vejo agora estrelas nascerem no jardim, Onde tu estiveres e reveres, O que fizeste, o que fazes, o que fareis! Lembranças ainda vivas, sem o esquecer! Nos meus pensamentos... Nas minhas agruras, Nos meus ócios, nas desventuras, Oh, olhar de queixume sofrido e vertido, No meu pulsar e tonturas! ( F.)
June 2
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TÓNIO _ OSIMPLESwrote:
AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: aqui...além... Mais este e aquele, o outro e toda a gente... AMAR! AMAR! AMAR! E não amar ninguém! Recordar! Esquecer? indiferente! Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma primavera em cada vida; É preciso cantá-la assim florida, Pois se deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder...pra me encontrar... (Florbela espanca)
Apr. 21
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SEM NOMEwrote:
Desci do teu
Desci do teu ombro ao teu ventre O teu corpo tinha o aroma do teu nome Eu não procurava um segredo eu não queria conhecer-te Eu era um astro ignorante embriagado Viajando na indolência de uma cascata lenta Todo o sabor da tua nudez abandonada Inundava o meu corpo como um barco de ondas Esquecia-me de ti sem esquecer o teu nome Na tua carne gentil no teu ventre luminoso Entre as tuas ancas de animal novo Eu não me perdia mas como podia eu ver-te Tu eras viva mais viva do que uma sombra Mais cintilante do que uma estrela entre os meus braços Ó radiosa rapariga eu murmurava o teu nome Ao entrar em ti no teu maravilhoso impudor Como se não quisesse pensar que te possuía Como se só pudesse possuir-te sem esquecer o teu nome! De. António Ramos Rosa
Apr. 16
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SEM NOMEwrote:
QUADRAS SOLTAS
Tenho tanto que dizer-te E não sei dizer-te nada: P´ra falar-te, quero ver-te, Vejo-te e…fico calado. Palavras de amor não digas, Olhos nos olhos, somente, Que palavras são cantigas Cantadas por toda a gente… Conservo do que findou Qualquer coisa de sagrado: O coração que te amou E que nunca foi amado. De: Maria do Céu
Apr. 3
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